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Analisador de legibilidade com o índice de Flesch para o português
Cole seu texto e a ferramenta calcula o índice de facilidade de leitura de Flesch com os coeficientes adaptados ao português, estima o nível escolar e o tempo de leitura e destaca as frases e palavras mais longas. O texto não sai do seu navegador.
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Texto destacado
| # | Palavras | Início da frase |
|---|
Tudo é calculado no seu navegador — nada do que você digita é enviado para lugar nenhum.
Como usar
- Cole o textoUm artigo, uma newsletter, uma descrição de produto ou os textos da interface. Para um resultado estável, são necessárias cerca de 100 palavras; com duas frases o índice oscila muito.
- Leia o índiceA escala vai de 0 a 100: quanto mais alto, mais fácil. Ao lado aparecem o nível escolar aproximado, o tempo de leitura e as principais contagens.
- Encontre os trechos pesadosAs frases mais longas ficam mais destacadas, e as palavras com quatro sílabas ou mais aparecem sublinhadas. Você pode mudar o limite de frase longa.
- Simplifique e meça de novoDivida as frases longas e troque palavras longas por outras mais curtas — o índice é atualizado na hora enquanto você edita.
O índice de Flesch adaptado ao português
Em 1948, Rudolf Flesch propôs medir a dificuldade de um texto em inglês com dois dados: o tamanho das frases e o tamanho das palavras em sílabas. As palavras em português têm mais sílabas que as inglesas, então a fórmula original dá notas baixas demais. Em 1996, Martins e colegas do ICMSC-USP, em São Carlos, ajustaram a constante da fórmula para textos em português do Brasil:
Os coeficientes de ASL e ASW são os de Flesch; muda a constante, que sobe de 206,835 para 248,835 e compensa as palavras mais longas do português.
Exemplo resolvido
Veja três frases: “O onboarding ajuda um novo usuário a entender rápido para que serve o produto. Uma boa dica aparece na hora certa e fala de uma única ação. Se a pessoa não encontra valor nos primeiros minutos, pode fechar a aba e não voltar.” A ferramenta conta 43 palavras, 3 frases e 85 sílabas.
Um 67 é “padrão”. As sílabas são contadas por regras: cada grupo de vogais é uma sílaba (ditongo), exceto duas vogais fortes seguidas, que formam hiato (le-em, po-e-ta); os ditongos nasais ão, õe e ãe contam como uma sílaba. A regra acerta a maioria das palavras e erra em algumas, como estrangeirismos (“onboarding” conta como quatro sílabas).
A adaptação de Martins et al. não tem uma versão de “série escolar” como a de Flesch–Kincaid, por isso o nível escolar mostrado é uma equivalência aproximada a partir da faixa de dificuldade, segundo a tabela de estilos de Flesch.
Como interpretar o resultado e onde o índice falha
Martins et al. propuseram quatro faixas: 75–100 muito fácil, 50–75 fácil, 25–50 difícil e 0–25 muito difícil. A ferramenta usa as sete faixas mais detalhadas da escala original de Flesch:
| Índice | Dificuldade | A que se parece |
|---|---|---|
| 90–100 | Muito fácil | Frases curtas de palavras simples |
| 80–90 | Fácil | Texto de conversa, instruções simples |
| 70–80 | Razoavelmente fácil | Bons textos de interface e newsletters |
| 60–70 | Padrão | Jornalismo geral, artigos claros |
| 50–60 | Razoavelmente difícil | Correspondência empresarial, análises |
| 30–50 | Difícil | Divulgação científica e textos profissionais |
| 0–30 | Muito difícil | Textos acadêmicos, jurídicos e técnicos |
O índice é útil para comparar versões do mesmo texto e encontrar trechos pesados. Mas é um modelo grosseiro, com limitações conhecidas:
- Não entende o sentido. Frases curtas cheias de jargão tiram nota alta, e uma sequência sem sentido de palavras curtas tira nota perfeita.
- Não mede se a palavra é conhecida. “Informação” tem quatro sílabas e todo mundo entende; “churn” tem uma e nem todos conhecem.
- É instável em textos curtos. Em um trecho de duas ou três frases, uma frase longa move o índice dezenas de pontos. Para textos de interface, o verificador de textos de tooltips funciona melhor.
- Depende da divisão em frases. Listas, títulos e abreviações com ponto (“p. ex.”, “Sr.”) confundem a contagem. A ferramenta trata cada linha como uma frase separada.
- Os níveis escolares são aproximados. A fórmula foi calibrada em livros didáticos; para ficção ou documentação especializada, a correspondência é grosseira.
Tempo de leitura: de onde vêm 181 palavras por minuto
O tempo de leitura considera uma velocidade média de 181 palavras por minuto. O número vem do estudo multilíngue IReST (International Reading Speed Texts), em que adultos nativos de 17 idiomas leram textos padronizados em silêncio; 181 palavras por minuto é a média do português.
A velocidade varia muito entre pessoas e textos: um tema conhecido é lido mais rápido, instruções cheias de números e termos, mais devagar, e uma tela de interface é mais escaneada do que lida. O tempo de fala é uma estimativa para um ritmo tranquilo de apresentação.
Nos textos de interface o tempo pesa ainda mais: uma dica ou um passo de tour é lido de passagem, e o que não cabe em poucos segundos é pulado.
Como deixar um texto mais fácil de ler
- Divida as frases longas. Uma ideia por frase. Quase toda frase com mais de 20 palavras pode virar duas sem perder nada.
- Prefira verbos a substantivos. “Realizar a configuração” → “configurar”; “efetuar o pagamento” → “pagar”. O texto fica mais curto e mais vivo.
- Corte as expressões burocráticas. “Com o objetivo de”, “no âmbito de”, “no que se refere a” aumentam a frase sem acrescentar nada.
- Escolha o sinônimo curto. “Utilizar” → “usar”, “aproximadamente” → “cerca de”, “posteriormente” → “depois”.
- Escreva números com algarismos. “3 passos” é escaneado mais rápido que “três passos”.
- Meça de novo. O índice deve subir, mas o objetivo é um texto claro, não um recorde.
Se você escreve textos de onboarding, comece pelo checklist de onboarding de usuários e pelos exemplos de onboarding em SaaS, que mostram como redigir dicas e passos.
Fontes
- Martins T. B. F., Ghiraldelo C. M., Nunes M. G. V., Oliveira Jr. O. N. Readability formulas applied to textbooks in Brazilian Portuguese. Notas do ICMSC, n. 28, USP São Carlos, 1996 — adaptação do índice de Flesch.
- Flesch R. A New Readability Yardstick. Journal of Applied Psychology, 32(3), 1948 — o índice original e sua escala.
- Flesch R. The Art of Readable Writing. Harper, 1949 — tabela de estilos e níveis escolares.
- Trauzettel-Klosinski S., Dietz K., IReST Study Group. Standardized Assessment of Reading Performance: The New International Reading Speed Texts IReST. Investigative Ophthalmology & Visual Science, 53(9), 2012 — velocidade de leitura em 17 idiomas.
Perguntas frequentes
O que é o índice de legibilidade de Flesch para o português?
É a fórmula de Flesch com a constante ajustada por Martins et al. (1996) para textos em português do Brasil: 248,835 − 1,015 × palavras por frase − 84,6 × sílabas por palavra. Ela estima a dificuldade pelo tamanho médio das frases e das palavras. O resultado vai aproximadamente de 0 a 100: quanto maior, mais fácil.
Qual índice de legibilidade é considerado bom?
Para textos de público amplo — artigos, newsletters, páginas de produto — o ideal é 60 ou mais. Textos de interface e instruções devem ser ainda mais fáceis. Textos acadêmicos e jurídicos raramente passam de 30–40, e isso é normal para o público deles.
Como calcular o tempo de leitura de um texto?
Divida o número de palavras pela velocidade de leitura e multiplique por 60 para ter os segundos. A ferramenta usa 181 palavras por minuto, a velocidade média de leitura silenciosa em português no estudo IReST. Um texto de 1.000 palavras leva cerca de 5,5 minutos.
Por que o índice ficou acima de 100 ou abaixo de 0?
A fórmula não é limitada pela escala. Frases muito curtas com palavras de poucas sílabas passam de 100, e frases longas de palavras longas dão valores negativos. Na escala, a ferramenta encosta esse valor na borda.
Como as sílabas são contadas?
Com regras do português: cada grupo de vogais é uma sílaba (ditongo), duas vogais fortes seguidas se separam (hiato) e os ditongos nasais ão, õe e ãe contam como uma. A regra acerta a maioria das palavras e pode errar em estrangeirismos e em alguns hiatos com i e u.
Meu texto é enviado para um servidor?
Não. A análise roda em JavaScript no seu navegador; o texto não é transmitido nem armazenado. Na URL da página fica salvo apenas o limite de frase longa que você escolher.
Qual a diferença para o Flesch–Kincaid?
O Flesch–Kincaid usa as mesmas duas medidas com outros coeficientes e expressa a dificuldade em séries escolares dos Estados Unidos, calibradas para o inglês. Não há uma versão validada para o português, por isso a ferramenta mostra só um nível escolar aproximado derivado da faixa do índice.
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